Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Junho 14 2010
Quero

a insistência incompreensível da interpretação da vida,

nas fendas da azáfama.
Quero

conhecer os som da crepitação das minhas palmas.
Quero

aromas exóticos

no fardo fadado do trilho da dor

no ângulo mais recôndito da alma

e na aragem luzidia…
Quero

que alguém pinte minha alma sem corpo.

Quero

o som racional no instinto da racionalidade.

E porque os sonhos não dormem

Quero

fazer da palavra, semente e plantar a consciência.

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 22:03
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Junho 14 2010

Seria mais fácil cobrir a nudez

para entrar num mundo

onde prevalece o labor do erro altruísta.

A vida sacode as raízes

e questiona o apego à terra…

Ah…

A incandescência da dualidade do ser…

Mas a extrema indigência

mantêm a cadência

de uma atroz demência

sem clemência.

E não se choram todas as lágrimas…

E não se cristalizam todos os risos…

Se ao menos se pudesse abandonar a ira da dor…

Se ao menos se pudesse tornar falha a acendalha da batalha…

A rudimentaridade está lá.

É intrínseca

devoradora

voraz

e não há banho de decência que lhe valha.

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 22:00
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Junho 14 2010

Posterguei a esperança

e mirei-me com verdade!

Omiti a etiqueta,

as vírgulas e os parágrafos,

fitei meu âmago,

perscrutei meus velhos sonhos

cansados de tão sonhados

combalidos e amarfanhados…

Meus esboços e intentos

delongados pelo tempo,

pelo anseio do concreto,

minha impotência insanável,

meu viver eunuco,

eu mirei-me com verdade!

e posterguei a esperança…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 21:58
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Junho 14 2010
Sinto nos lábios

a palavra a embalar

o verbo a saltar

o verso que se agita.

Que grita.

Sem destino vai fugir

alguém o há-de ouvir

e talvez sentir…

E talvez entenda

o verso que é prenda

a si o prenda…

Talvez misantropo

talvez filantropo

e brinde com copo

de azul temperança

de verde esperança

de rubi ou de tinto

e eu

ab sinto…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 21:57
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Junho 14 2010
Sem animosidades
afocinha-se na angústia
e cumpre-se o princípio do equilíbrio clássico
numa temática estéril e banal.
Os caminhos são agrestes e escarpados…
O vento debulha o jardim
e contribui para a poda…
Como um riacho que chora a sua melodia para a noite fora
expõe a nudez.
O Tempo
mantém oculto o florete na plumagem…
E não se consegue chorar todas as nossas lágrimas…
Utópico este mundo feito de papel reciclado…
Tenho saudades
do tempo em que me era permitido sonhar…
Tenho saudades
da minha ingenuidade
que me deixava sonhar sem barreiras ou precipícios…
Saudades de acordar na aurora com o coração alado…
De mergulhar o dedo no pote de mel…
Saudades
Saudades de ser criança…
 
Edite Gil
(Registado no IGAC)
publicado por Edite Gil às 21:54
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Junho 14 2010
 
                              (Aldeia de Portugal)
Desce-se para a aldeia.
Esquece-se o nada do tom da sociedade.
Toca-nos a macieza agreste do ar puro.
Entre a sinceridade de um sorriso
no olhar das suas gentes
e o vergar com o fardo de uma vida grisalha
invade-nos um império de sentimentos…
Abandonamo-nos, e deixamo-nos embalar…
Deixamo-nos embriagar de vida…
Espraiamos o olhar no horizonte
onde o céu e a terra se beijam,
languidamente…
Ai o paladar das cores…
Ai o chilreio canoro dos grilos…
Bailarinos galarispos ao sabor da brisa,
onde o azul é mais celeste e o verde é mais casto,
onde o céu se deixa bordar
pela renda dos cumes das montanhas…
Onde o ribeiro acorda cantando, encantando,
brincando com pedras, beijando margens,
saciando a sede por onde passa
deixando-se inebriar
pelo sussurro de um carvalho
pelo bulício da sua folhagem…
Quem sente, entende
que Campo Benfeito não se entende, sente-se!
 
 Edite Gil
(Registado no IGAC)
publicado por Edite Gil às 21:52
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Junho 14 2010
Desaparecem as palavras…
As nuvens negras ameaçando tempestades…
O sentimento alvo ou negro
naufraga lentamente…
E é gritante o pingar da madrugada…
Ensurdecedora, a névoa das palavras…
A chuva de frias lágrimas
ressuscita do nada
e fustiga velozmente as vidraças de uma janela, involuntária e una…
Não se consegue ser
a força inventada em cada ser
ainda que num leito de vontade…
O sonho vai ruindo loucamente…
Lentamente…
Num desafio destilante e intangível
ao cascalho da memória…
 
 Edite Gil
(Registado no IGAC)
publicado por Edite Gil às 21:50
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Junho 14 2010
Não quero as nuvens negras

ameaçando tempestades!...

Eu quero ser o pássaro branco,

o pássaro leve que desliza

alegre na brisa que tamborila…

Quero acender uma estrela num chão de palavras…

Quero o som da chuva

imortalizado na delonga de um verso…

Eu quero o mar distraído,
e o odor do tempo suave,

e os restos de Atlântico nos olhos…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 21:48
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Junho 14 2010
Alentejo envolvente

de bailarinas espigas

fortes, grossas e esbeltas

ruburizantes, ao sol de estio…

Por sãos caules ostentadas

bordando campos e horizontes

suando labor

inspirando esperança!...

Alentejo brando e bravo

de saber, sabor e temperança!...

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 21:46
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Junho 14 2010
Quem és tu?

Quem és tu, pretenso sábio, para me julgares?

Tu, de alma amargurada, que destilas indiferença e dor,

dor que não mata, mas magoa, desfigura e fere.

Respiras raiva, ódio, dor, despeito e agonia

e absorto, embrenhas-te a gastar tua vida

que já não sei se presta…

Fermentas a dor e amplias a tua solidão,

nessa agonia imensurável e tão nefasta.

Talvez por temeres que caia teu pano…

Talvez por temeres ver-te por outros olhos…

Talvez por sentires…

Não! Porque tu não sentes…

A tua alma exasperada arrasta-se pala vida

nesse teu destino inconfundível e bizarro.

Aras insensibilidades cortantes e infinitas.

Derretes o teu tempo agonizante

numa inebriante orgia dos sentidos,

numa qualquer noite vazia de calor e de luar

perfumada pelo cheiro macilento da borrasca infernal.

Transpira em teus poros o tempo agonizante

onde te perdes, em palavras, até mais não…

Aparências…

Talvez o pássaro branco seja a máscara da insensatez…

Afasta de mim o mal querer!

Afasta de mim a alma amargurada!

Afasta de mim a dor que desfigura e fere!

Afasta de mim a agonia nefasta!

Afasta de mim! Tudo o que esconda

afasta de mim…

Eu…

Quero apenas embriagar-me de vida e de saber,

quero apenas ver a borboleta que esvoaça meneante

voando como pena solta

na brisa doce que me envolve ao pôr do sol…

No fim de tudo, o que resta além de nada?

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 21:44
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Junho 14 2010
Eu quero ser um pato bravo e voar para sul!

Não consigo vislumbrar um germinar

ainda que de hera…

As lágrimas que brotam dos olhos

perturbam a visão…

Há lágrimas que vagarosamente britam o rosto

e se aninham nas rugas feitas socalcos do tempo…

Assiste-se ao êxodo da sensatez

que ruma na direcção do vento,

que marcha à luz crua da lua,

e de um sol fanfarrão,

exibindo o pavonear de mãos cheias de nada,

na esmerada perfeição dos olhos eternos de uma escultura,

num exército a passo de ganso…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 21:43
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Junho 14 2010
Abandonai a noite medonha e feia

estimada como preciosidade!

Que não medrem mais as faíscas gélidas

que aplaquem o desespero das almas famintas de luz

que cesse, na alma, a chuva estupidamente persistente

parecendo não abandonar o céu!

Deixai a pomba branca

partir rumo ao pôr-do-sol

onde um brilho de alegria, bailarino perfeito,

começa a florir

nos conquista e encanta

e proporciona um espantoso cenário…

Olhai a vida

como um navio de luz resplandecente

a rasgar as águas deste rio doirado…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 21:41
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Junho 14 2010

Apartai as pálpebras.

Descerrai o véu.

Olhai,

o vento gélido a chicotear as árvores

que se manifestam

num balido amedrontado,

num bramido pasmado.

Urge um rebelar contra as rosas de amianto,

urge, o não olvidar uma vida de nada,

urge o não pasmar

ante cristais de gelo penetrantes,

urge uma surpresa lúcida,

urge,

urge,

urge…

Baptizai a vida com um baptismo de primavera

mas não adormeceis

num arsenal de flores…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 21:39
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Junho 14 2010

A vida dorme na sarjeta, contemplando a solidão!...

A solidão no seu silêncio gritante,

num desabafo urbano…

A cidade grita!...

À força da raiva e da vontade

procuro respostas em forma de palavras,

tal é o compromisso com o alfabeto…

E elas surgem,

hesitantes com o peso da culpa…

Quero esquecer a cidade!...

Quero o Alentejo casto, tranquilo e sonhador,

ébrio de sol…

A maciez pincelada de crepúsculo…

O azul é maior e a noite dissipa-se,

o verde é mais verde…

As cores acordam

tal xaile de retalhos com as cores do arco-íris

toando um cântico de sol…

Preciso dessa luz que rasga e dilacera a solidão…

O meu ninho de sonhos

repousa nos braços de uma azinheira…

E se eu fosse ver, comigo, o sol nascer,

espreguiçando o rutilante imaginado…

Os planos brilhantes sucedem-se

entre espigas de silêncio, cruzando o espaço…

E sinto que se prolongam

as palavras de ternura da madrugada

na harmonia do bulício da folhagem ao ritmo do vento…

Sussurra o orvalho

tal prelúdio de um beijo…

E no irrequieto acordar do ribeiro

miro o meu rosto que dança,

reflectido na água…

Quero desenhar em meus olhos

a azáfama sonolenta do orvalho de aurora

na heróica planície

onde toco as nuvens e sinto a paz

que me transporta de mansinho

em pétalas soltas de poesia…

E vou além do infinito…

Infinitamente sedutora

e com lânguidos e alvos risos murmurantes

com beijos húmidos de espuma

retiro a poesia de um bolso

e imortalizo um império de sonhos…

Descasco as palavras e saboreio-as…

seu sabor

é o timbre de canoras carícias…

E prendo o olhar no horizonte

que emana do céu azul celeste!

Mas regresso ao vento que, ao soprar, me murmura destroços…

À cidade que grita!

Porque a maré,

Acaba sempre por voltar…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 21:37
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Junho 14 2010

Conduz-me pela música

com teus movimentos de linguagem poética

gestos que seduzem

e despem a alma

envolve-me em acordes de ternura

hipnotiza-me com tua pele que exala sensualidade

tua mão aberta sobre as minhas costas desnudas

embota-me

quando me desenha a linha

dança comigo a sinfonia da ternura…

lábios procuram o pescoço

uma voz quente cicia ao ouvido

ensandeço…

suspiros…

carícias…

o beijo em silêncio…

dança comigo

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 21:35
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Junho 14 2010

degustar o sabor macio

suaves roucos miados

denúncia da volúpia

em carícias lentas e meigas

a mão que repousa no rosto

levemente

suavemente

orgia no braço que num abraço prende o corpo

gesto firme e suave

abrasiva entrega

sem espaço nem tempo

cósmico incenso

do aroma de canela e café

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 21:19
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Junho 14 2010
Caros Associados:
 
Tenho o grato prazer de informar que o nosso associado FILIPE PAPANÇA, na Defesa da sua TESE DE DOUTORAMENTO, foi APROVADO COM DISTINÇÃO.
 
PARABÉNS!
 Maria Ivone Vairinho
Presidente da Direcção da APP
publicado por appoetas às 16:39

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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